Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Ainda sobre a federalização

É sempre bom receber o retorno de quem segue o blog. Amplia-se o debate. Vamos às questões levantadas.

 

1) A federalização proposta pelo grupo político é diferente dessa que está aí, e é diferente da getulista; logo, não dá para comparar. Ok, nós tivemos 2003 inteiro para ver o que é a concepção desse grupo, que liderou o MEC no período. E o que se viu foi muito feio. O mais grave, possivelmente, tenha sido o ímpeto com que se destruiu o Exame Nacional de Cursos (ENC), o popular Provão da educação superior. É óbvio que o modelo do goversno PSDB era fraco, ao não considerar uma série de variáveis, mas o que se colocou no lugar é muito pior. Enade: demorou 10 anos para tomarem alguma iniciativa contra as manipulações promovidas por muitas universidades particulares, que retinham alunos fracos e aceleravam a formação dos bons em anos de prova, visando à melhora da nota. O ENC era universal e anual; o Enade é trienal e por amostragem. Pior: caso a nota não agrade, o curso pode contar com uma visita do MEC. Trata-se de uma avaliação frágil e de resultados questionáveis, para dizer o mínimo. Dois professores visitam o curso e lhe dão um conceito de 1 a 5, como média de vários indicadores. São vários os problemas: subjetividade na avaliação; falta de parâmetros quantitativos; avaliadores distintos com rigores distintos, impedindo a comparação relativa dos cursos; dois professores são número par e, em caso de divergência, não há desempate, prevalecendo, em geral, a nota otimista. A avaliação in loco sobe o conceito obtido no Enade na imensa maioria dos cursos, um viés que só comprova o que estou querendo mostrar. Possivelmente, volto ao tema de avaliação em outra postagem. O que fica é o equívoco da gestão MEC em 2003, que se faz sentir até hoje.

 

2) Está provado por diversos estudos que a estrutura da escola conta na educação; logo, as megaescolas são positivas. Sim, há uma correlação positiva medida comparando-se escolas que nem banheiro têm com outras dotadas de bibliotecas suficientes e salas de aula funcionais. Por outro lado, não há estudo que mostre que a diferença está em ter uma escola com piscina, teatro e recursos ultratecnológicos. Neste caso, melhor dotar todas as escolas com o mínimo de estrutura do que pretender que algumas tenham luxos que nada têm a ver com educação. Houvesse dinheiro sobrando para termos apenas Cieps, CEUs e outras siglas demagógicas, eu as defenderia.

 

3) Brasileiro não está nem aí para a educação, como se viu na eleição presidencial de 2006, quando o candidato "da educação" obteve pouco mais de 2% dos votos totais. Essa está autorrespondida! Quem teve 2% foi o candidato, não a educação. Essa questão está diretamente ligada àquela respondida no item 1: o político que lidera essa demagogia de "federalização" é aquele que foi mandado embora do MEC um ano depois de assumir, por telefone, em um ato de escrita certa em linhas tortas. É o sujeito que, quando ocupa cargo no Executivo, não se reelege, porque tem dificuldade para administrar. Resumir uma solução para a Educação em uma palavra, como esse embuste de "federalização", é mostra de que o sujeito não sabe qual é o problema da educação, na melhor hipótese, ou de quem entra na toada demagógica da velha política, o que é mais grave. Portanto, o povo não disse "não" à educação. O povo disse "não" a político que não tem proposta séria, factível, solução de verdade, no que apoiei nesse caso e sigo apoiando, em qualquer caso de oportunismo político.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D