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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Segue o desgoverno

Com dois ministros caindo em 20 dias, outros tantos sendo citados em gravações como grandes corruptos, uma dependência absurda de um Congresso suspeito... não dá para dizer que "agora há governo".

 

E ainda tem a pretensão de logomarca, de falar que vai fazer isso ou aquilo em 2017... Dilma volta? E o julgamento no TSE? E o clamor popular? As ruas podem voltar a roncar de forma não vista antes no país.

 

São certezas demais para uma gestão incerta, em um período de mudanças em muitas áreas.

 

Vejamos as cenas dos próximos capítulos, esperando, ao menos, um milagre – com os que aí estão, só de milagre para cima.

 

 

Dilma volta (se a esquerda acordar)

O Senado aprovou a abertura do processo de impedimento de Dilma por um placar apertadíssimo em relação aos 2/3 que serão necessários para tornar o afastamento definitivo.

 

Entendo que Temer está provocando, no mínimo, uns três ou quatro senadores que votaram sim pela admissibilidade do processo, mas que, diante desse ministério, diante dessa condução do país, pode se sentir pressionado por suas bases a rever o voto.

 

Para ficar em um nome: Cristovam Buarque.

 

Confirmar Temer, a meu ver, é suicídio político para ele.

 

Se esses poucos mudarem de posição, Dilma volta.

 

A propósito, esquerda burra: em lugar de destruir o sossego e a possibilidade de ganhar o mínimo para a sobrevivência dos mais humildes, fechando estradas que levam à periferia, invadindo escolas que são a única esperança de muitos, enfim, criando antipatias permanentes com o povo, o verdadeiro povo, que tal pressionar esses senadores?

 

Parece óbvio para quase todos, mas alguns estão cegos: não é a vida dos pobres que a esquerda burra deve atrapalhar para conseguir o retorno de Dilma.

 

É a dos senadores que se elegeram com o voto do militante de esquerda e votaram contra Dilma.

 

Aprofundando o debate

Vêm me dizendo: "Mas Cardozo é controverso! Está sendo investigado por atrapalhar a Lava Jato! Por quem Lula soube que seria visitado?" Sim, há controvérsias sobre Cardozo. É de se tomar com muita cautela, eu reconheço. Os próprios funcionários de carreira da AGU não gostaram de vê-lo usando a expressão "golpe" para o que é previsto pela lei. Veremos se agiu de forma ilegal para barrar o alcance de Moro em relação a Lula. Desse caso, até onde sei, não emergiram gravações com sua voz. Em relação à atuação como advogado de defesa de Dilma, apesar de ser o advogado-geral da União, diz-se ter sido o responsável por evitar que Dilma fizesse uso inapropriado de dois veículos para suas queixas: pronunciamento em cadeia nacional e a tribuna da ONU. Não é pouco.

Vêm me dizendo, copiando a opinião padrão da imprensa: "E 'voto por Deus!', 'voto por Italândia!', ou, pior, 'voto pelo torturador!'? Isso é aceitável? Só mencionar a própria família é errado?" Quem disse que política é questão de certo ou errado? Bom, passada essa primeira lição de Ciência Política, o que fica é o seguinte: tudo isso tem o eleitor como alvo. É o eleitor que rejeita o político ateu, é o eleitor provinciano, é o eleitor que acha que uma ditadura sanguinolenta lhe seria favorável. Agora, "minha família"? Isso é mensagem para qual eleitor? E tem mais: o voto que definiu a aceitação da denúncia para o impeachment de Collor na Câmara foi assim: "Meu voto, pela dignidade, por aquilo que Minas Gerais representa, é sim! E viva o Brasil!" O show, portanto, foi igualzinho. A crítica, bem diferente. A diferença: Collor não tinha apoio nenhum. Ou talvez: as pessoas e os articulistas de jornal fossem mais pensantes.

Vêm me dizendo: "Dilma e Temer renunciando? Sabe de nada, inocente!" Ah, pelamordedeus! Já coloquei em post anterior que Dilma não faria isso. Uma coisa é defender a melhor saída, clamar por ela. Outra é achar que essa saída é o que vai acontecer. Desde 15 dias antes do editorial da Folha de S.Paulo eu coloquei que isso era o mais digno, mas que não ia acontecer! Leitura e interpretação de texto, rapaz!

Têm sido dito por aí: "Essa Câmara não representa o povo! Menos de 10% dos deputados foram eleitos por seus próprios votos!" Triste ver tanto desconhecimento, mas vamos lá. O voto (proporcional) para a Câmara ainda tem um megadistrito chamado Unidade da Federação. Cada UF tem um número de vagas reservado. A quantidade de candidatos por partido ou por coligação em cada UF supera em muito o número total de vagas daquela UF. Entendeu? Uma única coligação já tem mais candidatos que vagas! Some todas e veja que os votos ficarão, inevitavelmente, pulverizados, com poucos votos nominais realmente "tendo efeito", ou seja, com seus recebedores tomando posse. O efeito limitado do voto nominal é ilusório, pois, afinal, o sistema é proporcional. Se alguém entende, ignorantemente, que o voto é no candidato, vai se frustrar. Não, querídis! O voto é na coligação! O sistema eleitoral é assim há mais de 30 anos e o brasileiro médio ainda não sabe usar! Nesse sentido, vale a máxima: "brasileiro não sabe votar"!

Só para explorar um pouquinho mais a última situação: cidadão votou 13 para presidente e 15XX para deputado federal. Milhões de pessoas fizeram isso, em 2010 e 2014! Claro, Lula criou a rota do "golpe", aceitando Temer para vice de Dilma. O cidadão (um desses milhões) foi uma das pedrinhas a pavimentar a rota: votou, sim, em Temer, e pôs na Câmara um correligionário de Temer! "Ah, mas meu candidato para a Câmara não foi eleito." Não interessa! Você votou no partido do vice-presidente para a Câmara, contribuindo para eleger outro candidato da mesma coligação de ocasião (cujo nome estava no alto da lista de votos nominais dessa coligação). Os partidos são fracos porque o brasileiro vota no nome, não tem a menor consciência de como opera o sistema proporcional. Culpar o sistema? Haja ignorância. Neste mesmo blog, já defendi o fortalecimento do atual sistema. Como fazer isso? Esquerdista: exija coligações fortes de esquerda. Vote nessas coligações. Enquanto a esquerda estiver em 10 legendas desunidas, sem nenhuma superar individualmente o quociente eleitoral, vão continuar dominando livremente a Câmara as bancadas Bíblia, Boi e Bala – cujos partidos se coligam e fazem seus votos pesarem mais.

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