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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Desproteção universitária

Quando li esta notícia, logo pensei no que aconteceria se fosse na UnB. Diferente?

 

Já deu tempo até de a lenta Justiça condenar o aluno. Enquanto isso, a UFMA não moveu uma palha em ações efetivas de enquadramento do aluno.

 

Em lugar de fazer valer o regimento da universidade, quis "medicalizar" o que é crime, nada menos que isso. Resposta patética da universidade.

 

Sensibilizo-me por já ter sofrido ameaças veladas na UFT, e por saber que nem sempre os colegas estão dispostos a ajudar.

 

Talvez, se achem protegidos, incólumes. Pena que não estão.

 

http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/05/22/aluno-da-ufma-e-condenado-a-pagar-r-7-mil-a-professor-vitima-de-homofobia.htm

 

O senador não cansa

Já questionei aqui: populismo ou ignorância?

 

A ideia de federalizar a educação é tão desprovida de sentido que foi fácil quebrá-la em outro post deste blog. Comigo concordaram as pessoas da área com quem conversei. Basicamente, fazer do professor um servidor federal não melhorará sua formação, tampouco a qualidade de sua aula. Sem falar da violência à regionalidade, ao ímpeto criativo dos sistemas estaduais e municipais, e por aí vai. Não vou destrinchar novamente os argumentos, mas parte deles está aí para relembrarmos.

 

Agora, esse artigo fraco em argumentos na Folha de S.Paulo de hoje. A pergunta retorna, igualzinha: populismo ou ignorância?

 

A quem interessa dizer que a escola particular do país é melhor que a pública? Desconte o fator família (famílias de mais posses e níveis educacionais têm filhos com rendimento escolar superior, por fatores extraescolares) e veja o que sobra: escolas incapazes de oferecer uma formação de qualidade. Nada mais, nem na rede pública, tampouco na privada.

 

E sabe por quê? Porque a formação dos professores, tanto das públicas quanto das particulares, se dá nos mesmos espaços formativos: a fraca universidade brasileira. E nem se pode dizer que os melhores alunos dessas universidades encontram vagas nas escolas particulares e os piores acabam nas públicas: a nossa experiência mostra justamente uma proporção enorme de maus alunos das licenciaturas, com excelente retórica e grande carisma, mas absoluta fraqueza de conhecimentos e de raciocínio lógico, se instalar nas ditas "escolas de elite" das capitais brasileiras. Só pode dar nisso.

 

Quebramos a ideia da "educação particular de qualidade" e, com algum esforço e flexibilidade, podemos atribuir esse "equívoco" do senador à sua ignorância. Mas em relação à alegação de que os institutos federais oferecem essa tal "educação de qualidade", sem qualquer comparação externa, não dá para achar o mesmo. Aí, é populismo em estado bruto. Ponha, senador, nossos alunos da educação básica federal para fazer um Pisa. Não saem do quartil inferior. Em terra de cegos, quem enxerga luzes é rei? Parece ser a concepção rasteira do senador para vender o federalismo como panaceia.

 

Quanto à educação em tempo integral, vamos na contramão do futuro. A escola, em ato de pretensão, é colocada como único espaço de formação. Esquece-se dos múltiplos tempos e espaços formativos, da necessidade do aluno de tempos de reflexão e de autoestudo, da inocuidade das aulas "mais do mesmo", da necessária liberdade ao aluno para exercer atividades extraescolares livremente (e não matar iniciativas como o empreendedorismo e a inovação na raiz, condenando o aluno a uma improdutiva carteira escolar 7 horas por dia). A escola brasileira não é sequer tolerável (quem dirá boa?) e certos congressistas querem deixar nossos jovens mais tempo presos nela? Façam-nos o favor!

 

Isso não impede o senador de permear o artigo com fatos e conclusões de estudos sérios. O problema é aferrar-se aos propósitos político-partidários pessoais, citando apenas aqueles que corroboram suas ideias, e desprezando os fatos e as conclusões contrários.

 

A educação não deveria e não merece ser usada para fins tão ordinários.

 

Aos utópicos

Manuel Castells, o sociólogo espanhol, hoje, na Folha de S.Paulo:

 

"A imagem mítica do brasileiro simpático existe só no samba. Na relação entre as pessoas, sempre foi violento. A sociedade brasileira não é simpática, é uma sociedade que se mata. Esse é o Brasil que vemos hoje na internet. A única coisa que a internet faz é expressar abertamente o que é a sociedade em sua diversidade. Trata-se de um espelho."

 

"Na rede, não há constrangimento e se abre a possibilidade de expressão espontânea da sociedade. E o que ocorre? Nos damos conta de que a sociedade não é tão boa e angelical como gostaríamos que fosse. Vemos que, na verdade, a sociedade é bastante má. No Brasil e em todos os outros países."

 

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