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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Federalização como embuste

Muitos devem saber que há um grupo político a propor a federalização como solução para a educação básica nacional.

 

Uma reflexão minimamente elaborada mostra a qualquer um que se trata de embuste.

 

Segue uma lista que pode servir de ponto de partida àqueles que ainda não pararam para fazer essa reflexão.

 

1) A educação brasileira já tem alto grau de federalização. A existência de parâmetros curriculares nacionais, de um fundo nacional de financiamento da educação básica, de um piso salarial nacional, de um ministério (nacional) que regula intensamente a área, de uma prevalência de leis nacionais em relação a leis locais de educação, de uma enorme massa de professores formados em universidades e institutos federais já garante uma uniformização que, inclusive, vale questionar se é positiva para o país.

 

2) A federalização não implica mudanças substanciais no sistema. O sistema educacional brasileiro está falido por razões que vão muito, mas muito além de dinheiro e de ente financiador. O ofício docente é desvalorizado mesmo em estados que pagam salários muito bons. Gestões equivocadas, violência incontida nas escolas, reprodução de modelos ineficientes de didática, de metodologia e de avaliação são problemas que requerem atitudes que não exigem federalização de coisa alguma, tampouco (e por isso, não) são contempladas na proposta.

 

3) As propostas trazidas pelo grupo político já foram aplicadas em nível estadual e municipal sem sucesso. Megaescolas superequipadas foram carro-chefe de várias campanhas eleitorais nas últimas três décadas. Algumas se materializaram. Já se sabe que não há dinheiro para transformar todas as escolas em megaescolas, sob pena de sacrificarmos a economia nacional. Tais escolas criam uma disparidade que, justamente, é o que se pretende diminuir pela educação. Outra bobagem é a educação de tempo integral dentro da escola, educação com mais do mesmo, da qual posso falar em outra postagem.

 

4) Nenhum país do mundo precisou da federalização para melhorar a educação. O que faz a educação ser melhor é o compromisso político e social com o tema, independentemente de ente federativo. É a cultura de valorização do conhecimento e da ética. É a rejeição expressa do "jeito brasileiro", coisa diversa ou, até, oposta à boa educação. Nenhum país colocou a federalização como exigência para melhorar a educação. Não somente porque muitos são países pequenos e, portanto, naturalmente federalizados, mas porque o caminho é outro.

 

5) A educação brasileira já foi federalizada e piorou. Nos tempos de Getúlio Vargas, com as reformas Campos e, especialmente, Capanema, a educação brasileira era centralizada, pela intenção do ditador de eliminar as (id)entidades regionais. Foi quando os livros didáticos (e os professores) deixaram de se atualizar, deixaram de tratar de aplicações para serem um pacote técnico sem nexo com a realidade. A situação educacional surreal criada nos tempos da federalização é claríssima para quem vê de fora, como o Nobel de Física Richard Feynman fez na década de 1950.

 

Muitos dos fatores desta lista têm desdobramentos. Alguns explícitos, outros implícitos. Talvez a lista seja maior, mesmo considerados esses desdobramentos. Não há problema. A intenção é iniciar a reflexão.

 

Caetano e Gil já alertavam sobre isso em "Haiti": educação não se presta a servir de escada para políticos. É isso que devemos combater.

 

Compra do novo livro impossível

Como alguns já sabem, editei novo livro, chamado "Matemática Básica e Lógica". O conteúdo não é diferente daquele já presente em "Matemática: foco no vestibular".

 

Ficou uns poucos dias à venda no AgBook, mas o site está há quase duas semanas sem acesso ao https, já que o certificado do sistema deles foi revogado.

 

Já cansei de reclamar, mas os caras replicaram perguntando "O que você quer dizer com https? Explique, por favor."

 

O que faz supor que o sistema de compra por cartão de crédito não é seguro, e sem garantias mesmo quando voltar a funcionar.

 

Uma pena ter de mudar de empresa, porque os livros de lá nunca vieram com defeito ou mau acabamento.

 

Assim que tiver novidades, aviso aqui no blog.

 

Afinal, o que é inocência?

Novos fatos e trocas de ideias sobre meu passado profissional recente levaram um amigo a dizer que, se eu não sou capaz de perceber o jogo que está por trás das más ações de quem tem o poder de decisão, o inocente sou eu.

 

A questão é que não deixo o "poder do dinheiro" guiar minhas ações em prejuízo dos outros.

 

Não admiti que os filhos dos reis da soja me forçassem a mudar suas notas ao fim do semestre.

 

Não aceitei qualquer cargo ao qual não estivesse habilitado a ocupar em troca de ganhar 15% a mais.

 

Pode ser que esse caráter íntegro me impeça de jogar o jogo, mas não chamo isso de inocência.

 

Inocência, ou ingenuidade, meu amigo, é deixar o dinheiro te guiar. É permitir-se ser títere.

 

Dinheiro, afinal, não vale mais que ética, moral, dignidade, cooperação, solidariedade, competência, esforço, mérito...

 

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