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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Ataque ao argumentador

Um artigo que me tranquilizou em uma época recente, descrita há pouco neste blog, foi o que segue.

 

http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/umberto-eco/2013/10/19/na-italia-acusando-o-acusador.htm

 

Lembrou-me de que a tática de bater no argumentador no lugar da impossível missão de bater o argumento é velha e sempre haverá quem se utilize dela sem pudor.

 

Problema, mesmo, é quando pessoas de bem acabam sendo enredadas e escolhem o lado errado, sem consciência ou reflexão sobre o jogo sujo.

 

Palavras sobre a Universidade Federal do Tocantins

Vivi (profissionalmente) quatro anos e meio na Universidade Federal do Tocantins, a UFT. Um ano e meio, contratado pelo Ministério da Educação, mas dentro da UFT, e outros três anos como servidor docente da própria UFT.

 

A minha saída da UFT se deu por razões pessoais e profissionais. Pessoalmente, saí porque queria estar mais perto de alguém que há tanto tempo está em minha vida, a quem já dediquei tanta coisa (inclusive minha dissertação de mestrado) e que, agora, trabalha na Universidade de Brasília.

 

Profissionalmente, saí porque vivia uma situação de travamento muito grande. Havia um bloqueio duradouro para que eu pudesse assumir responsabilidades à altura das minhas principais especialidades, entre as quais estão a formação de professores, a educação a distância e o ensino de ciências. Isso se dava por conta de mesquinharias de umas poucas pessoas que não tinham (e não têm) currículo na área (tampouco ética) para falar de mim, nem negativamente (como faziam), nem positivamente (como fingiam, e, em certos casos, até acreditavam, fazer).

 

Quanto às atividades principais para as quais fui contratado, que eram ministrar aulas de Matemática, Física, Química e Informática para cursos da área de Agrárias, o problema, que eclodiu um tanto depois do primeiro, foi o crédito absurdo que um dirigente inexperiente na função deu a um dos piores grupos de alunos do campus, levando-o a crer que o maior problema das altas taxas de reprovação em Cálculo era, não a péssima escola básica tocantinense, ou o vestibular que não exclui ninguém, ou a falta de uma cultura de autorresponsabilização, de esforço, de trabalho, de estudo, mas eu.

 

O tempo, obviamente, está dando e ainda dará as respostas adequadas a cada uma dessas questões, que, lamentavelmente, foram de ataque pessoal contra mim, uma vez que a argumentação contra o meu trabalho era fraquíssima ou inexistente. Afinal, nos dois casos, os dirigentes, inexperientes ou inocentes, preferiram dar ouvidos a quem gritava mais, em vez de ouvir quem pensava mais. Destes, aliás, sigo recebendo elogios: ex-alunos e ex-colegas (os bons, claro) têm me contatado com carinho e reconhecimento que não sei como retribuir, mas espero que estas palavras contribuam para isto.

 

Se eu tive problemas com uns poucos, por outro lado, preciso reconhecer a força institucional da UFT. A UFT tem tudo para se tornar muito maior do que é hoje, e isto, certamente, se deve a uma alma mater jovem, que toda universidade deveria lutar para ter e para manter. Alguns podem achar que são detalhes, mas, para a vida acadêmica e para o desenvolvimento profissional docente, o que eu vou listar é fundamental.

 

A UFT, desde 2011, tem uma planilha de avaliação docente muito completa. São mais de 200 atividades que um professor pode realizar, e que contribuirão para a sua progressão funcional. A UFT, portanto, dá ao professor uma liberdade grande sobre a sua produção e a sua atividade, bem como um razoável incentivo à inovação. A produção e a manutenção de um blog crítico, por exemplo, como este foi e busca voltar a ser, é reconhecida pela UFT como atividade docente relevante. Em outras universidades, talvez engessadas pela burocracia e pela antiguidade de seus quadros, isto ainda tardará a ocorrer. Suas listas, quando há, se resumem, na essência, ao velho binômio "aulas e artigos", excelente engessador de criatividade.

 

Há quem siga achando que aulas e artigos são tudo o que um professor deve fazer. Uma resposta adequada a estas pessoas vem do sistema Lattes, do CNPq, usado no Brasil para que pesquisadores divulguem seus currículos acadêmicos. Pois lá já é possível ao pesquisador declarar que possui ou mantém um blog. O CNPq, portanto, reconhece um blog como atividade academicamente relevante. Como tantas outras atividades que também constam lá: artigos de divulgação científica, vídeos e outros recursos didáticos, consultorias, registros de marcas... Tudo na base da autodeclaração, sem a patética exigência de certificado para atividades simples ou pequenas. A lamentar, portanto, que certas universidades, por questões internas, tenham freado o processo natural de ser e de representar a vanguarda do saber e do fazer o novo.

 

Outros dois setores representativos da UFT que funcionavam com uma dinâmica rara (embora não absoluta, nem perto do ideal, mas, mesmo assim, acima da média) eram a Comissão Permanente de Seleção (Copese) e a Ouvidoria. Participei de duas bancas de professor efetivo na Copese, prestei outros concursos, acompanhei outros tantos, e todos foram de transparência e rigor adequados. Os vestibulares ocorrem com normalidade, sem os questionamentos graves que já emporcalharam, por exemplo, a reputação da Federal de Rondônia (já tratei aqui no blog), tampouco com problemas operacionais visíveis. Não tenho notícia de lista de aprovados divulgada com erro (com nomes que não deveriam constar dela, por exemplo, algo que aconteceu recentemente no DF, e há algum tempo em São Paulo, ambas em organizações que se dizem especializadas em seleções).

 

A Ouvidoria (que recentemente mudou de nome, mas não achei o novo) já usei e já usaram contra mim. É ativa, cobra resposta, dá satisfação a quem denuncia, seja qual for o tamanho do problema. Não importa se um servidor pretensioso bloqueou-lhe o devido pagamento de 200 reais (foi o caso, não solucionado apenas pela minha desistência de levá-lo adiante), ou se os alunos reclamam com ou sem alguma razão (também foi o caso, e eu tive de responder a eles por meio da ouvidoria), enfim, nenhum caso é deixado para trás. É fundamental para uma Universidade com U maiúsculo ter um órgão que gerencie ativa e rigorosamente os conflitos internos. É algo que não se vê na maioria das universidades federais, lamentavelmente. Há erros, ausências, em alguns casos o denunciante se sentiu desprotegido, em outros a ouvidoria quis proteger indevidamente certas pessoas ou processos e o Ministério Público Federal teve de ser acionado, mas, na UFT, a ouvidoria funciona acima da média, sim.

 

Por fim, é excelente ir, por exemplo, a Araguaína e ver uma licenciatura em Física funcionando tão bem, apesar das mais diversas limitações, graças à dedicação e à inovação. É excelente ver que os professores da UFT são reconhecidos e têm suas carreiras desenvolvidas internamente pelo que fazem fora da universidade, por suas palestras, por suas entrevistas ou pelo número de citações que recebem de seus artigos. Em suma, esta maior segurança profissional e institucional que a UFT oferece pode servir para fixar bons quadros.

 

Espero que a UFT siga se renovando positivamente e seja, cada vez mais, uma coleção institucional de exemplos positivos. E que outras universidades, mais antigas e ditas tradicionais, possam reconhecer um tanto a aprender com as experiências bem-sucedidas da UFT.

 

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