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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Aluno que quer "jeitinho" no fim não é mendigo faminto

Uma leitura que alguns fazem sobre alunos que querem aprovação em componente curricular sem demonstrar nível suficiente nos exames é a de ser uma situação similar à do cidadão que furta ou rouba para comer, ou seja, esgotadas as demais possibilidades, busca-se uma alternativa socialmente inadequada.



Discordo. Há várias diferenças entre os dois casos. Comer é aqui e agora. Não há tempo para ir "procurar um emprego, vagabundo", como dizem aqueles que não sabem se pôr no lugar do outro. Aprender, no caso universitário, é um processo que leva meses e depende muito mais do esforço pessoal do indivíduo.



No roubar para comer, falta apoio da sociedade. Aqui, no que tange ao semestre, sobrou. E é preciso aproveitar esse apoio, o que não ocorreu. Monitores e professor ficaram à disposição mesmo no recesso de fim de ano, online, mas não receberam sequer uma dúvida. Por quê? A resposta obtida no retorno do recesso não deixa dúvidas: "porque não estudamos".

 

Ou seja, dizer que estão "esgotadas as demais possibilidades" pode caber no discurso do mendigo, mas não no do estudante.

 

Os jovens de até 25 anos não viram, não tiveram, nem terão as dificuldades para conseguir um primeiro emprego que se verifica em tempos de recessão. É possível ter produtividade baixa, ser absolutamente incompetente e ignorante, e mesmo assim, por estarmos em uma fase de pleno emprego, ter uma colocação garantida.



Então, para que se esforçar? O medíocre já é suficiente! Para que buscar a excelência? O emprego está garantido!



Quem conhece um pouquinho de economia ou lê análises de economistas sabe que o ciclo positivo só não encerrou porque estamos comprometendo o futuro. Ou seja, pela política econômica, estamos rolando a conta. Como se sabe, isso significa pagar mais caro depois.



O que será desses profissionais no futuro, no tempo da recessão? A pergunta fica mais sem resposta quando vemos que já há uma chegada expressiva de profissionais estrangeiros para as vagas, carreiras e atividades em que faltam brasileiros capacitados.



Os alunos preferem pagar para ver. Não há previdência, não há visão de futuro. Cultural? Sim. Mas nem tudo o que é cultural é bom. É preciso se questionar! É preciso ser crítico! Chega de achar que o Brasil é o melhor país do mundo! É, sim, o melhor país que o povo conhece, simplesmente porque não conhece outra cultura ou outra realidade.



Não é preciso ir longe para ver o quando estamos ficando para trás. E seguir tolerando que profissionais sejam diplomados sem ser formados é temerário para o futuro deles e para o futuro do Brasil.


O esforço, o trabalho, a dedicação, a excelência, em todas as suas formas, ainda estão longe de ser reconhecidos como se deve no Brasil. Tolerar a mediocridade ou, pior, permitir o "jeitinho brasileiro" só fazem comprometer ainda mais um futuro que já se desenha sombrio.

 

Encerramento do semestre, problemas de sempre

Mais um semestre encerrado na Universidade Federal do Tocantins, talvez o meu último.

 

E os problemas de conhecimento e ética se mantêm, como sempre.

 

Desta vez, o andamento foi diferente: não somente eu avisei sobre as dificuldades que esperariam os alunos, mas também os veteranos reforçaram. Alguns deles participaram ativamente no apoio aos calouros, fazendo plantões de dúvidas e se colocando à disposição para explicar a matéria.

 

O fim, contudo, foi o mesmo.

 

A falta de percepção sobre a própria ignorância persiste, apesar de todos os alertas, todos os avisos, todas as provas.

 

Mas o pior não é isso.

 

Tais alunos podem ser fracos em Matemática ou Português.

 

Escrevem errado, não compreendem o que leem, tiram notas baixíssimas, como consequência de sua ignorância.

 

Mas em Ética, o conhecimento e a atitude são nulas. Nulas.

 

Mais um semestre, sou obrigado a rechaçar tentativas de "dar um jeitinho" na nota de alunos que não têm conhecimento suficiente para seguir em frente.

 

A tréplica desses alunos só reforça a minha percepção.

 

Eles insistem em achar que quem está errado sou eu!

 

Eu, o cara rígido que não dá uma arredondada de meio ponto na nota, mesmo depois de aplicadas provas valendo 14!

 

O cara que não finge que não viu, que não aceita que molhem sua mão.

 

Em Matemática ou Português, eles podem ser nota 2, 3 (de 14).

 

Em Ética, a nota é ZERO!

 

Críticas voltarão. O mundo exige.

Sinto falta de comentar e destacar certos eventos aqui no blog. Tentei deixar a vertente crítica.

 

Foi bobagem.

 

O radicalismo vem tomando conta das pessoas. O individualismo está cada vez mais exacerbado.

 

Rede social? Sim, para formar grupinhos que pensam igual. E não têm contato com quem pensa diferente.

 

Só pode dar em preconceito, arrogância, ignorância...

 

Não dá para fingir que não vi. Não dá para não manifestar oposição.

 

Como emissoras nacionais de televisão podem manter "jornalistas" (ops! retire as aspas porque alguma uniuni diplomou...) que destilam o que de pior há no ser humano?

 

Agora foi a tal paraibana das "mihil e uma nohoites", de novo. Desde a primeira vez em que ouvi falar dela, eu desconfiava. Defender a vingança à margem da lei foi só mais um confeito no caprichado bolo da sua ignorância.

 

E o que dizer do reitor de uma universidade federal do Rio de Janeiro e seu grupinho a questionar quem traja roupas leves para embarcar em aviões, como se não usar black tie fosse um crime hediondo?

 

Calar-se diante disso? Impossível.

 

Quem acompanha o blog já leu críticas a jornalistas, a reitores e merece continuar a ler.

 

O blog voltará ao perfil que tinha até pouco tempo atrás, ainda que não haja leitores frequentes.

 

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