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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Protestos: antes tarde do que nunca

Os protestos irromperam pelo país sob a bandeira da oposição aos aumentos nas tarifas de transporte urbano.

 

Mas já passaram dessa fase. E nisso, são semelhantes aos protestos, também recentes, na Turquia, em que uma justificativa quase banal, perto de tantas outras, foi a gota d'água para a mobilização.

 

Brasília, anteontem e ontem, viu protestos no Eixo Monumental, vizinho ao novo estádio. Inúmeras cidades no país passaram pelo protesto das tarifas, Goiânia sendo, talvez, a primeira.

 

E o que têm a ver a Copa e os aumentos nas passagens?

 

Tudo, claro. Não é só o fato de o momento ser extremamente oportuno para exibirmos ao mundo inteiro a tibieza da atual geração de políticos brasileiros e o consequente sofrimento do povo com inconsequências de toda sorte.

 

Inconsequências? Eventos recentes: despreparo de todas as polícias, não só as estaduais – já se vai um mês e a PF não descobriu a origem da boataria do Bolsa Família –, política econômica demagógica, com isenção de impostos e aumento dos subsídios, enquanto nossa infraestrutura vai se desfazendo – estradas de asfalto e de ferro lastimáveis, portos, aeroportos e fronteiras burocráticas e subdimensionadas –, e por aí vai.

 

Em lugar disso tudo, foquemos nos protestos. Algum infeliz prefeito ou secretário municipal veio a público dizer algo parecido com "os manifestantes têm de entender que, se não aumentarmos a tarifa, teremos de tirar dinheiro da saúde e da educação para sustentar o subsídio".

 

Será que não lhe ocorreu a ideia de tirar o subsídio do dinheiro da Copa?

 

Sim, é tarde demais para exigirmos isto.

 

Mas melhor protestar tarde do que nunca protestar.

 

Ranquear periódicos é boa coisa? A Austrália viu que não

Será que é positivo para a ciência brasileira ter uma baliza de periódicos como o Qualis?

 

Na Austrália, houve uma tentativa infrutífera. O problema era a falta de clareza nos critérios e o uso deturpado do ranking – para avaliar os pesquisadores, e não os periódicos.

 

Sim, é exatamente como ocorre, lamentavelmente, no Brasil. "Diga-me onde publicas e eu lhe direi se e com quanto o financiarei".

 

O resultado é que os pesquisadores australianos começaram a recusar colaborações com grupos estrangeiros porque estes queriam publicar em revistas não tão bem ranqueadas na lista australiana.

 

Claro que isso vem acontecendo no Brasil, assim como o Brasil vem abandonando linhas de pesquisas importantíssimas porque não têm periódicos bem ranqueados no nosso triste e atrasado Qualis em certos nichos.

 

O artigo lincado abaixo também mostra que novos pesquisadores possivelmente começaram a preferir publicar em revistas mais bem posicionadas no ranking do que nas revistas respeitadas pela comunidade científica da respectiva área.

 

E no Brasil? Estágios probatórios e progressões em que docentes de estaduais e federais (algumas, não todas) pontuam mais ao publicar em revistas de conceitos Qualis mais elevados também estão deturpando a área.

 

Na área de Ensino de Ciências, por exemplo, a alta colocação no Qualis de uma revista eletrônica mequetrefe de um interiorzão da Espanha fez com que mais de 70% das publicações da revista fossem de artigos de brasileiros.

 

A prova de que a revista tinha zero em reconhecimento internacional é o nível dos artigos não brasileiros da revista: pesquisadores locais e latino-americanos de terceira linha, com textos fracos.

 

E o Brasil acha que está fazendo ciência de qualidade com o Qualis e graças ao Qualis.

 

Fato é que o Qualis está no mesmo nível do Ciência sem Fronteiras.

 

A diferença é que não saem reportagens detonando especificamente o Qualis nos principais diários do país. A crítica é indireta.

 

http://chronicle.com/article/Journal-Ranking-System-Gets/127737/?sid=at&utm_source=at&utm_medium=en

 

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