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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

O terrível mundo das universidades particulares

Como pode uma universidade anunciar-se como estando em "promoção"?

 

Nós já sabemos que grande parte dos alunos menos abastados acaba escolhendo a sua faculdade pelo preço e não pela qualidade, mas...

 

...precisa jogar na cara? Será que é bom para o sujeito que "adere à promoção" perceber que o seu diploma está sendo desvalorizado justamente por conta de campanhas autodepreciativas da universidade?

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Outra é essa história de autoplágio de um ex-secretário estadual de educação, ocorrida em outra universidade particular (clique aqui).

 

Como questiona um leitor do jornal (clique aqui): como pode a universidade omitir-se de dar uma resposta adequada à denúncia? Diz Nicola Granato: "Se nada for feito, todos os alunos [...] estarão sob suspeita quanto à qualidade e à honestidade de suas formações. Seriam também possíveis falsários acobertados pela instituição?"

 

É por essas e outras que a educação pública superior ainda precisa ser valorizada. Porque não há substituto imediato à altura na rede privada, nem nas áreas mais rentáveis. Um colapso da educação pública é um colapso da educação no país.

 

Mudar esta situação perversa é um desafio que ainda está longe do centro do debate.

 

Ensino Médio estagnado: qual é o problema, ministro?

O tema é recorrente aqui no blog, mas retorno a ele motivado por reportagem da Folha de S.Paulo de ontem, acerca da estagnação da nota desse nível de ensino no Ideb, o índice de desenvolvimento da educação básica no país.

 

A matéria pode ser lida aqui.

 

Diz, basicamente, o seguinte: o ministro Mercadante acha que o problema é o excesso de disciplinas obrigatórias, 13 no total.

 

Só para variar, ministro, devo dizer que não.

 

Poderíamos ter 50 disciplinas no ensino médio, e não seria muito.

 

Desde que os conteúdos fossem mais criteriosamente selecionados, o enfoque não fosse propedêutico (preparatório para nível posterior de ensino), o ex-ministro Haddad não tivesse estragado completamente o Enem...

 

Só darei uma pincelada, porque tudo o que escrevo aqui está em outros posts deste blog.

 

1) Conteúdos e abordagens precisam ser pertinentes. E hoje, infelizmente, não o são. Falar de números complexos e determinantes em Matemática, por exemplo, é de um despropósito absurdo. Como também é absurda a proposta 100% matematizada e 0% conceitual aplicada ao ensino de Física. O ministro quer tirar Matemática ou Física do currículo? Tiro no pé. As disciplinas não deixarão de ser importantes por decisão do Conselho Nacional de Educação. Falta foco no essencial. Aliás, falta o essencial de muitas outras coisas no Médio: Economia, Geologia, Agronomia, Astronomia, Estatística... A abordagem correta e sintética destas áreas só tenderia a enriquecer o Médio, e não entupi-lo.

 

2) No Médio, não se formam físicos nem matemáticos, ao contrário do que o receituário típico costuma vender e os professores têm de comprar. Pior: com a mudança bizarra do Enem, valorizando conteúdos e deixando as competências de escanteio, a situação do ensino Médio só piorou. Em Estados cujos vestibulares de federais já tinham se "humanizado", o ensino Médio teve de regredir para atender ao capricho ignorante do ex-ministro Haddad (o que não retira seus méritos em outras áreas de sua gestão) e seu Enem conteudista e tradicionalista porcamente envernizado.

 

3) Não dá para combinar ensino Médio preparatório para a universidade com um crescente investimento público em cursos técnicos de nível Médio (os chamados subsequentes) e tecnológicos, como se vê nos Institutos Federais. A contradição não é óbvia? Ou o ensino Médio abraça todas as possibilidades de futuro de seus egressos, ou seguiremos supervalorizando médicos e desprezando mecânicos, mesmo com os segundos chegando a salários cada vez mais próximos ou até superiores aos dos primeiros, como se vê aqui.

 

O ministro Mercadante precisa se cercar de melhores argumentos antes de vir a público falar da "solução" para o ensino Médio.

 

O que ele conseguiu desta vez? Deixar em pânico os alunos de Licenciatura em Química, por exemplo, ameaçando retirar (possivelmente) essa disciplina do currículo.

 

Ministro Mercadante, com a sua nova ameaça, a de não ter emprego, quem vai querer entrar num curso de licenciatura?

 

Infelizmente, cresce a suspeita de que a pessoa que encabeça o MEC não mostra, hoje, envergadura intelectual e conhecimento suficiente na área para ocupar o cargo que ocupa. Fica claro que a inabilidade diante da greve dos professores federais não foi caso isolado.

 

p.s. às 11h25: o mnistro declarou que o Enem guiará a reforma. Ou seja, não vai haver reforma. Só mudança de nomenclatura do mesmo entulho que é o atual ensino Médio e o atual Enem. Interdisciplinaridade, ministro, não se constrói mudando nome de componente curricular. É na base. É na formação do professor. E isso demora 20 anos e exige um salário muito maior que o atual. Reduzir os conteúdos e reforçá-los com metodologias adequadas é o que daria efeito imediato.

 

Uma internet mais real e humana é possível?

Chama-me muito a atenção um dos mais recentes trabalhos publicitários de uma operadora de telefonia. Um casal se pede e aceita em casamento e, em lugar de curtir o momento, enviam mensagens pelo celular aos amigos. Não é a primeira propaganda da empresa nessa linha do "torpedão até debaixo d'água".



Paralelamente, assisti, na última sexta-feira, a um vídeo de 10 minutos, disponível no YouTube, chamado "We all want to be young", sobre a atual geração 18-24 anos.



Neste último, a gente percebe um certo orgulho dessa geração em estar multiconectado, com zil "amigos" na rede social etc., não importando o que possa significar isso.



Apesar de o vídeo ser um clichê da tal geração, além do temor de termos, aí, uma geração vazia de sensações e rica em divulgações - nada que seja inédito em outras gerações, apenas exacerbado nesta - a tal geração retratada na propaganda e no vídeo inicia a sua decadência agora.



Novas redes sociais em que você só se relaciona com amigos mais bem selecionados, fim dos planos ilimitados nas redes de telefonia, saturação do tempo desperdiçado acompanhando timelines 99% inúteis apontam que a nova geração jovem, a 12-17 anos, tem mais chances de aproveitar melhor a rede.



Já é hora de a internet (e seus usuários, claro) atingir maturação. Faço aqui a minha otimista aposta.

 

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