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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Brasil e México: em comum, o desprezo pela educação

Somente hoje tive a oportunidade de ler o exemplar de USA Today de 30 de março passado.

 

A reportagem à página 7A, sobre a educação básica no México, mostra que a situação por lá é praticamente a mesma que a brasileira. Fatos:

 

- apenas 0,7% dos alunos mexicanos mostram grau avançado de domínio da Matemática nos testes da OCDE; nos EUA, a proporção é de 10%, quase 15 vezes maior;

 

- falta comando na educação. Por lá, quem apita é o sindicato de professores, que faz vista grossa às faltas dos docentes e vende posições melhores dentro das escolas (útil aos docentes na época de aposentar);

 

- o governo desconhece o número de docentes (ok, nisto o Brasil está em vantagem), embora os desvios de função sejam comuns. Se lá há professores trabalhando no sindicato, aqui, muitos fogem para as diretorias ou regionais de ensino;

 

- a educação, por ser voltada à memorização e não à solução de problemas, é tão ruim na rede particular quanto na pública. Alguns podem não acreditar, mas a situação não é tão diferente no Brasil.

 

Acesse o texto original: http://www.usatoday.com/news/world/story/2012-03-21/mexico-education/53872544/1

 

O convívio nas artes e as artes no convívio (Luís Carlos de Menezes)

Na última segunda-feira, em reunião com meu orientador de doutorado, o prof. Luís Carlos de Menezes, soube que, na última edição da revista Nova Escola, da qual o prof. Menezes é articulista, sua coluna havia abordado a temática da educação pela arte.

 

Como a referida revista é cara, e seu conteúdo deixou de ser gratuito pela internet, não costumo ler o que escreve. Mas, desta vez, comunicado pelo próprio articulista e com a temática tão relacionada com o meu mundo profissional, resolvi dar um jeito de ler.

 

Mais uma lição brilhante do prof. Menezes, um sujeito realmente especial. Leia o artigo na íntegra abaixo. Copiei porque a temática é importantíssima, especialmente aqui no Tocantins.

 

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O convívio nas artes e as artes no convívio

Subestimar essa linguagem na escola é ignorar parte fundamental da cultura e empobrecer a formação para a vida e para o trabalho



Tanto quanto as ciências e as demais dimensões da cultura, a arte se aprende praticando, compreendendo e apreciando. Por isso, ela é para ser vivida, conhecida e saboreada. Curioso pensar que, diferentemente do que ocorreu na história humana, na qual as artes antecederam a escrita, as crianças da Educação Infantil cantam, moldam, dançam, representam e desenham enquanto iniciam seu processo de letramento. Mas é preciso reconhecer: à medida que avança a Educação Básica, a Arte frequentemente perde espaço. A disciplina vai sendo reduzida ou confirmada, talvez porque em muitas escolas o caráter cognitivo da formação se empobrece, em prejuízo do sentido mais amplo do educar.



Por isso, é oportuno questionar: por que as artes têm tido um papel menor na Educação? Deixá-las em segundo plano é um simples equívoco ou reflexo de sua importância? Elas devem ser reconhecidas somente na disciplina de Arte ou também nas demais?



As respostas a essas questões podem ajudar professores de todas as áreas a educar melhor, como mostrarei a seguir. Isso depende, porém, de uma compreensão mais lúcida do mundo e do sentido da escola, que leve à superação de um pragmatismo equivocado que substitui formação por treinamento desde os primeiros anos da vida escolar.



Artes existem desde a pré-história e estão na origem da civilização. Em todas as épocas, deram forma a utensílios, edificações, representações e rituais, caracterizando cada cultura. O passado das artes persiste na imponência gótica da catedral, no enlevo da música barroca e na graça eterna do teatro de máscaras. Desprezá-lo seria como só ver sentido no último capítulo de uma obra sem ler os anteriores. Até hoje, as artes dão forma a inúmeras manifestações, não importa se seja o break na calçada ou o balé no palco, o conceito surpreendente da página do webdesigner ou a ponte estaiada do arquiteto. Esse amplo universo não pode ser ignorado pela escola.



Só quem teve o privilégio de estudar em uma boa instituição, que valoriza as artes, sabe a importância de participar de um conjunto musical, de uma oficina de teatro e de grafite ou de ter visitado mostras e museus. Desenvolvendo a sensibilidade e o gosto do convívio nas artes se aprende também a arte no convívio. Valores como respeito, cooperação e tolerância também estão em jogo quando se ensina e se aprende Arte. Basta se lembrar do movimento entre os personagens numa peça ou do intervalo deixado para um solo de bateria. Ambos exercitam tais atitudes, nos preparando para lidar com uma intervenção durante reuniões de trabalho ou com opiniões divergentes numa discussão entre amigos.



História e Geografia, entre outras, também podem ser integradas à Arte. Não porque esta esteja a serviço de outras disciplinas, nas porque contribui com elas. Afinal, fazer a maquete do bairro dá mais realidade ao mapa, assim como analisar uma cerâmica ou uma pintura traz o passado para a sala.



No entanto, ainda há quem acredite que o interesse pelas artes é irrelevante e existem muitas escolas que formatam seus currículos em função dessa percepção. Pois, para quem, por equívocos como esses, encara as artes como opostas a outras atividades, posso contar que o mais ilustre cientista com quem convivi, meu mestre Mário Schenberg (1914-1990), foi um reconhecido crítico de artes, além de grande físico brasileiro. O mais ilustre cientista com quem ele conviveu, o físico alemão Albert Einstein (1879-1955), também tinha grande interesse pelo tema: gostava de música, ticava violino e não fez segredo sobre o quanto suas ideias nas ciências foram fortemente influenciadas pelo que ele aprendeu com a literatura.



(Luís Carlos de Menezes – Físico e educador da Universidade de São Paulo/USP)
(Revista Nova Escola – Ano XXVII – N° 251 – Abril/2012 - Ed. Abril)

 

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Espero que os colegas do IFTO leiam o artigo e entendam a importância de Gurupi ter cursos de licenciatura, técnicos e tecnológicos na área de Artes. E entendam, nas entrelinhas do artigo, que é exatamente a falta de Arte na nossa região o grande problema para se perceber o quanto ela é importante na Educação, a razão da baixa procura, o descrédito e o desdém com que o curso é visto externamente etc.

 

Não podemos deixar os cursos de Artes do IFTO Gurupi morrer!

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