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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Expansão da rede federal em risco

São tantas as notícias preocupantes relacionadas com cursos do Reuni que eu temo que isto acabe por, no futuro, carimbar negativamente o currículo dos egressos. Não canso de dizer isto.

 

Grades curriculares mal elaboradas, planejamento ruim, falta de verbas, falta de professores, falta de materiais, falta de espaço físico...

 

Cadê a representação estudantil, meu Deus!? Só ficaram os chapas-brancas? Ou os novos ingressantes não estão acostumados a lutar pelo que querem, ou não sabem fazer isto?

 

Eu estou pela segunda opção... E isso só mostra como a educação superior pública está decaindo: estamos formando gente que não sabe lutar por seus direitos... A não ser que se trate de algo pequeno e imediato, como uma lata de cerveja...

 

Deu saudade dos malucos esquerdistas!

 

Impunemente, a educação segue engessando

O UOL Educação publicou uma fotorreportagem interessantíssima sobre o ódio que os astros da música, mais especificamente do rock, tinham em relação à escola.

 

Clique aqui para ler os relatos (no caso de John Lennon, trata-se da extração dos textos de uma de suas biografias, por isso, não está em primeira pessoa).

 

Sofriam bullying, eram mal vistos pelos professores e, em vingança contra o sistema, desdenhavam dele. Leia lá antes de prosseguir.

 

Nem de longe vivi a situação que eles relatam. Mas uma série de experiências sobre o tema vale a pena compartilhar aqui.

 

Aula expositiva é o máximo

Como muitos sabem, estou fazendo uma nova graduação, desta vez em Artes Cênicas. Se, em 100% das universidades, este é um curso excepcionalmente liberal, no Instituto Federal, com suas tradições da educação básica (controle rigoroso de frequência, horário de aulas rígido, aulas tradicionalíssimas com projetor multimídia, seminários e provas escritas), a regra foi quebrada para pior. Agora, querem proibir os notebooks em sala de aula. Nada mais pretensioso achar que banir computador vai fazer a aula ficar melhor. E, se não é capricho, é ignorância. Não prestar atenção em uma aula coletiva só quer dizer que aquele assunto, abordado daquela maneira, por aquela pessoa, não lhe chamou a atenção naquele momento. Só.

 

Não advogo em causa própria, pois raramente levo o meu laptop. Mas me lembra muito uma perseguição que sofri no mestrado, em uma disciplina, porque eu preferia ler em lugar de olhar o idiota pretensioso do professor. Sim, provavelmente, ele achava que a aula dele era melhor que o livro! No fim, deu no que deu: quem olhava a aula levou B, C, R. Quem leu o livro e estudou sozinho ficou com um fácil A.

 

Quem assiste às minhas aulas na UFT sabe que eu não cobro presença de ninguém, sou extremamente flexível nas atividades propostas e peço ao aluno para que, se achar mais fácil, procure e se fie em outras fontes, como vídeos da internet ou livros. É difícil dar uma aula diferenciada de Cálculo, mas eu tento. E minha prova busca contextualizar as questões, da forma menos artificial possível. Aliás, sempre abro a possibilidade de o aluno propor outras formas de avaliação. Chega de engessar e achar que todos aprendem do mesmo jeito! Viva a diversidade!

 

(A propósito, quem me conhece do ensino médio e da graduação em Química sabe o quanto eu dormia em sala. Não me lembro de ninguém dormindo na minha aula na UFT... Bom ou ruim?)

 

Ridicularizando o sistema

Daqui a dois anos e meio, possivelmente, terei um doutorado, dois mestrados, uma ou duas especializações e quatro graduações.

 

E o que isso significa? Nada?

 

Resposta rápida: nada.

 

Esclareço:

 

- Entrei na graduação em Química em 1998 e me empolguei com a USP e as múltiplas possibilidades, como já postei recentemente. Mas a transferência para o curso de Ciências Moleculares me engessou. Não tínhamos janela na grade, a competição sufocava a cooperação entre alunos, o ambiente era pouco estimulador. Em São Carlos, apreciava tudo, menos a graduação. Trabalhava com gosto na Revista Eletrônica de Ciências e como monitor de Química no CDCC, o centro de ciências da USP local. Mas ridicularizava o sistema da graduação dormindo o tempo todo, depois colando (raro) ou estudando uma mísera horinha na véspera com meu querido amigo Glauco Perpétuo (extremamente frequente).

 

- Em março de 2004, por exemplo, fiquei revoltado porque marcaram a colação de grau em cima da hora, com menos de uma semana de antecedência, e não apareci, embora pudesse ter desmarcado a aula que dava no BoaProva (o querido Raphael Sabaini é testemunha). Só colei grau em 2005. Eu não dei a mínima importância para o diploma, pois tinha a escola e era só o que me interessava. Foi nesse ano, 2004, que escrevi meus três livros.

 

- Apesar de ter decidido nunca mais frequentar a escola regular, demandas de ordem legal me impeliram a buscar certificações, diplomas, papéis e papéis higiênicos. Acabei, nessa esteira, entrando na licenciatura em Ciências Exatas, já que a LDB de 1996 exigia formação do professor em licenciatura. No mestrado, entrei por causa da bolsa (minha orientadora sempre soube disso). A partir daí, e isto inclui o doutorado, tudo o que eu fiz foi apenas para pegar o papel no fim. Acabei tendo ótimas experiências, como com o meu atual orientador de doutorado. Mas isso foi pura sorte. Não existem Luís Carlos de Menezes em cada esquina acadêmica.

 

Pegar papel virou objetivo, porque esta é a única forma de "provar" "conhecimento" sobre algo. Assim sendo, o que eu faço é uma enorme ridicularização do sistema. Sim, afinal, em teoria, pelas cargas horárias acumuladas (no momento, doutorado, mestrado profissionalizante e duas graduações), meu dia deve ter mais de 24 horas. Mas, para mim, é muito simples levar tudo ao mesmo tempo com um esforço mínimo. Não por inteligência, mas pela esperteza de entender como (não) funciona o sistema. E me aproveito disso.

 

As pessoas se impressionam com algo a que não deveriam dar valor. Mas, neste mundo das aparências, nada como usar diploma da USP como papel de parede para bancar o gênio.

 

Um viva às estrelas do rock, que sobreviveram a isso tudo e nos brindam com seu talento!

 

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