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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Mais aprendizados sobre redes sociais

Pelo fato de eu trabalhar a disciplina "Introdução à Informática" para os alunos dos cursos de Engenharia Florestal e Agronomia no campus local da UFT, acabo um pouco mais atento a artigos que tratam das relações humanas na internet, redes sociais, privacidade etc. Vale compartilhar algumas coisas que estão acumuladas aqui.

 

Uma delas é a seguinte: suas fotos no Facebook, por exemplo, podem ser utilizadas livremente pela empresa em um anúncio publicitário, você sabia? Esta e outras bizarrices do termo de uso do site foram destacadas em reportagem de Leonardo Luis e Lucas Sampaio para a Folha.com, e pode ser lida aqui.

 

Outra é a de que o Facebook vinha vigiando seus usuários mesmo quando estes não estavam logados em seu site! (Está vendo, alunada, por que não adianta nada, absolutamente nada, repito, NADA, clicar em "sair" se o que você deseja é manter a privacidade?). Além disso, uma das mudanças que o Facebook quer implementar é o compartilhamento coletivo e obrigatório dos seus passos naquele site. Sim, todos os seus "amigos"* vão saber se você clicou na foto da ex-namorada, se você acessou a comunidade da cerveja ou do sexo livre, por mais que você não queira tornar pública esta informação.

 

O autor do artigo que comenta o tema, o estudioso bielorrusso Evgeny Morozov, trata, no mesmo texto, das consequências nefastas disto: um retrato preciso, mas estereotipado, de cada usuário pode ser feito, e as ofertas das empresas serão voltadas para o perfil que aquele usuário parece ter. Curioso eu ter resgatado este artigo justamente hoje, incentivado pelo fato de outro artigo de Morozov estar em destaque no UOL (o qual comento mais abaixo). É porque ontem estava discutindo com uma amiga sobre alguns planos comuns futuros, e ela havia notado que: os anúncios do Google passaram a ser voltados para o tema sobre o qual estamos pesquisando, o mapa já abre na região do globo que estamos examinando, e por aí vai. Respondi para ela que o mais grave de tudo isso é a perda da criatividade, é a perda da novidade nas experiências cotidianas. Não nos acontece, mais, de o mapa abrir em um local aleatório para explorarmos o novo, ao contrário de quando abríamos um atlas. Leia o artigo original e outras conclusões de Morozov, que escreveu melhor do que eu, clicando aqui.

 

O outro artigo de Morozov trata de uma das consequências nefastas da falta de controle sobre o que é publicado na internet: grupos de pseudocientistas e arautos de teorias conspiratórias estão conseguindo seguidores em um ritmo extremamente veloz. Uma das consequências é o retorno intenso de doenças outrora controladas pela falta da vacinação que, pretensamente, provocaria autismo (você pode se espantar, mas uma revista científica séria chegou a publicar artigo que defendia a teoria. Depois descobriu-se que o autor tinha recebido dinheiro de advogados que pretendiam processar indústrias de vacinas com base no artigo). O sarampo é uma das doenças que está voltando com força em vários países: muitos pais deixaram de vacinar seus filhos e, agora, a incidência da doença está em ritmo de crescimento preocupante. Ele mostra, com números do Twitter, a dimensão da preocupação: enquanto a atriz antivacina tem 500 mil seguidores, o mais famoso cientista da atualidade tem 300 mil. Morozov propõe um controle, por exemplo, de buscas do Google, que alertaria para a controvérsia que envolve um tema e alertaria o usuário a buscar fontes confiáveis. Se já é ruim que tal alteração nunca venha a ser realizada, pior é o controle social que Google e Facebook têm implementado: quanto mais um artigo é lido, mais ele é destacado, seja confiável ou não. Prato cheio para os verdadeiros conspiradores. Leia o artigo clicando aqui.

 

Portanto, o comentário de Carlos Nascimento, âncora do Jornal do SBT, sobre temas fúteis intensamente discutidos e propagados pelas redes (a propósito, o comentário do jornalista também se destacou nas mesmas redes) é errado. Não somos mais nem menos inteligentes do que antes: só estamos nos deixando emburrecer pelos novos impérios criados pela internet, destacando-se aí Google e Facebook em especial.

 

*Essa história de "amigos" também é bisonha. Que lógica faz Fulano ter Beltrano como amigo se Fulano não responde às mensagens que Beltrano envia única e exclusivamente a Fulano? Sim, Fulano publica um monte de intimidades sobre a sua vida, sabe que Beltrano vai ler (porque ele é seu "amigo") e, quando Beltrano lhe dirige a palavra, Fulano ignora? Sei que as relações humanas são assim mesmo, ilógicas, mas, será que as regras de etiqueta foram extintas na internet? Isso não aconteceu uma, duas vezes comigo. Eu fui Beltrano com uns dez Fulanos nos últimos 30, 40 dias. É bizarro!

 

P.S.: Eu ainda tenho de fazer um último comentário mais do que contextualizado. Há cerca de uma semana, uma dessas "amigas" do asterisco, uma Fulana, postou um imenso absurdo sobre si própria. Algo como um político corrupto dizer-se envergonhado com o desvio de verbas públicas, bradando "morte aos corruptos!"; ou um ébrio contumaz e irresponsável se dizer um defensor e seguidor ativo e eterno do "se beber, não dirija"; ou uma alpinista social defender apaixonadamente o amor eterno, independentemente do tamanho do patrimônio do nubente. Com isso, eu cristalizei a ideia de que rede social é perfeita para malandro, picareta, mentiroso, dissimulado, mas potencialmente negativa para pessoas honestas, sinceras, morais. O artigo de hoje do Morozov sobre os pseudocientistas só me confirmou isso. Quem sabe usar as redes sociais, como essa verdadeira professora, que, agora reconheço, poderia muito bem estar no meu lugar ministrando "Introdução à Informática" (com outro viés, claro), está na crista da onda, rindo à toa sobre como seus "amigos"/seguidores são crédulos e tolos (vários "curtiram" a mentira). Os verdadeiros amigos dela também devem ter rido a valer com a postagem irônica; os inimigos, por certo, se espumaram de ódio. Era tudo o que ela poderia almejar.

 

Lições de fim de ano

Estas últimas semanas me trouxeram inúmeras lições. Ainda que todas elas sejam dignas de compartilhar, vou deixar as pessoais de lado e falar das "impessoais". Uso aspas porque as impressões acabam sendo inevitavelmente enviesadas.

 

– Ainda há empresas honestas. Demorou para eu conseguir atendimento, mas a HP substituiu o meu cartucho queimado e a Oi, o modem queimado (este, por sinal, nem era caso de comodato, era meu, e a empresa repôs). Outras, como a Sky, de forma bem diferente, são pilantras, a ponto de reconhecer o cancelamento do plano e ainda assim lançar cobrança de mensalidade na fatura do cartão. Se a Oi sempre respondeu prontamente quando reclamei na Anatel, a Sky simplesmente ignorou até mesmo a autoridade pública...

 

– Visto americano: siga a intuição, não a instrução. Embora os americanos digam para você se fotografar de óculos, na fila do consulado eles descartam a foto. São 15 reais e mais atraso. Tire sem as lentes. Outra: embora eles digam que o seu nome deve ser escrito igual ao passaporte, sem separação de campos entre o prenome e o sobrenome (caso do passaporte verde brasileiro), no visto a coisa é separada. Portanto, não deixe constar FNU no campo sobrenome na hora de preencher o DS-160. De resto, tranquilo. Exceto as 3 horas em pé, sendo 40 minutos no sol (poderia ter sido pior, caso fosse na chuva...).

 

– Ainda há lugares no mundo sem a hipocrisia do Natal-Luz. Passei a virada de 24 a 25 de dezembro na boêmia rua Pio Nono, em Santiago. Nada de luzinhas ou decorações especiais na cidade. Esqueci totalmente do Natal! Nota 10! E curti tanto quanto no ano passado, pedindo uma pizza por telefone num quarto de hotel em Porto Alegre, mas desta vez sem abrir mão de estar na rua.

 

Ainda que com um pouco de atraso, desejo a todos os amigos e a todas as pessoas de bem um excelente 2012.

 

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