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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Más notícias para a livre expressão e informação

Duas coisas chamam a atenção na edição de hoje da "Folha de S.Paulo", nenhuma dada em destaque. Chamam negativamente a atenção de quem busca a liberdade de expressão e o direito à informação.

 

Uma delas: Julian Assange, do WikiLeaks, vazou documentos sem edição, comprometendo suas fontes. Difícil imaginar que, em curto prazo, novas fontes possam surgir. E, como sempre, erros como este reforçam a ideia de que o indivíduo corre grandes riscos ao divulgar informações confidenciais. Erros que acabam incentivando o egoísmo e prejudicando o fluxo de informações que devem ser públicas e não o são. Leia aqui.

 

Outra está no artigo de Rogério Meneghini, líder do projeto SciELO, de revistas científicas, dizendo que as revistas brasileiras não têm qualidade porque não têm verba. A solução, para ele, seria que as revistas passassem a cobrar para publicar, possibilitando uma profissionalização da administração. Seria mais ou menos como dizer que um jornal ganharia qualidade ao aumentar o preço de capa, sendo que seriam os mesmos jornalistas a escrevê-lo todo dia, apesar de liderados por um sujeito que passaria a ser remunerado (que seria o mesmo, ou um outro, possivelmente pior, dado que não faria o serviço pelo prazer, mas sim pelo dinheiro). Os blogs e a dinâmica da internet estão aí para mostrar que qualidade de informação e dinheiro não têm tanta correlação quanto se possa achar inicialmente (o WikiLeaks é ótimo exemplo). Em suma, a ideia de Meneghini iria dificultar a vida de quem não pesquisa dentro do paradigma vigente, bem como aumentar os custos dos projetos e inviabilizar pesquisas independentes, especialmente nas áreas de ciências humanas, em que projetos e grandes verbas não são sempre necessários para se fazer pesquisa de qualidade. Iríamos nos igualar ao "primeiro mundo", onde a ciência vem mostrando claramente que qualidade, independência e ética não combinam com interesses financeiros. Lamentável. Leia aqui.

 

Péssimas notícias e opiniões para a liberdade de expressão e de informação.

 

Greve nas federais: a dinâmica dos atores (traidores?)

A UFT, como eu já disse aqui, foi a primeira universidade federal a ver os docentes entrarem em greve neste 2011, ainda em junho. Parabéns à Sesduft, mais uma vez.

 

A entidade sindical nacional à qual a Sesduft se vincula é uma. Docentes de algumas outras universidades, na maioria mais antigas, são representados por outra.

 

Até há pouco, as duas entidades tinham diferença na combatividade porque, nas universidades novas, como a UFT, os docentes são mais novos na carreira e têm salários menores, menos benefícios, piores condições de aposentadoria futura etc. Piores condições exigem lutas maiores.

 

Mas não foi o que se viu na última sexta-feira, reunidos o governo e as entidades sindicais. Na ocasião, dizendo-se representantes reais dos anseios dos docentes, ambas as entidades aceitaram a ligeira correção de 4% nos salários brutos, o que não cobre as perdas inflacionárias do período. O aumento líquido? No meu caso particular, será de 2,92%. Não cobre sequer o primeiro semestre de 2011! E isso, só para março de 2012, certo?

 

A questão é a seguinte: os professores do nosso sindicato nacional estavam convictos de que o acordo não seria assinado. Afinal, as bases se opõem a ele, em geral. Isto fica claro quando lemos os comentários dos docentes colocados na própria página do sindicato. Ninguém pareceu acreditar no desfecho!

 

O que acontecerá? Não sei. Mas que a base considerou traição (peleguismo, mais exatamente) a posição do sindicato nacional, nem preciso dizer.

 

Pode ser que voltemos ao trabalho já, mas não por aceitar o acordo, e sim pela difícil sustentabilidade da greve diante da decepção. Decepção com o sindicato, decepção com o governo.

 

A educação segue sendo maltratada no Brasil.

 

Ciência x crença

Drauzio Varella falava sobre a medicina, especificamente, ao escrever artigo para a Folha em 18 de junho último (assinantes podem ler aqui). Mas a mensagem pode ser generalizada para toda a ciência.

 

Como é possível que a crença se sobreponha à ciência em algumas áreas, quase sem restrições, e, em outras, similares, isto não aconteça, sob pena de se classificar de insano o sujeito que o faça?

 

Entenda melhor o que eu quero dizer lendo trecho do artigo:

 

"[...] A medicina é um ramo da biologia, ciência que se propõe a estudar os seres vivos e as leis que os regem, não é domínio da crença; não é religião.

 

Invejo os homens que consertam o carro que dirigem. Quebrou na estrada, eles pegam as ferramentas, abrem o capô e reparam o defeito. Para resolver uma emergência dessas é necessário conhecer mecânica, entender como as peças foram engendradas e saber repará-las. Nessa hora, quem acreditaria em medidas alternativas para ativar a energia vital do motor com gotinhas pingadas no tanque de gasolina de duas em duas horas? Alguém faria o carro andar apenas com a força do pensamento positivo?"

 

Com todo o respeito à fé: acredite na ciência. Especialmente naquela que já está sedimentada pela pesquisa e pelo uso. Ainda que a ciência tenha seus defeitos, estaríamos bem pior sem ela.

 

Mais fácil entrar na faculdade sem completar o médio

Decisões judiciais recentes têm dado o direito a aprovados em vestibulares ou no Sisu a iniciar o ensino superior sem a conclusão do ensino médio.

 

Sou, e já disse aqui, favorável a uma aceleração dos estudos por superdotados. O Brasil engatinha nisso, e força talentos a desperdiçarem tempo em uma escola que raramente é eficiente e motivadora. Lembro-me de como foi motivador entrar na USP aos 17. Fiz ou quis fazer de tudo, só no primeiro ano: passei em Química, fui para o Ciências Moleculares, se não fosse isso teria concatenado Química com Direito no Mackenzie, matriculei-me no badminton, fiz curso de holandês (ou neerlandês) nas férias, busquei estágio em tudo quanto foi lugar, fui bolsista de iniciação científica, pedi optativas como Geologia, prestei Meteorologia, enfim, busquei tudo o que uma universidade como a USP permite e a escola, claro, não consegue oferecer nem em um vigésimo disso.

 

Pois bem. Uma vez que o Enem tem servido em termos absolutos para certificar alunos da modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos, antigo "ensino supletivo") no ensino médio, ele pode, sim, ser igualmente certificador do ensino médio regular, por que não? É o que alguns juízes têm entendido, bem como vêm usando outros argumentos para permitir, inclusive, que o aluno que passou para a faculdade sequer precise concluir o médio em concomitância!

 

E não é assim que deve ser? Se o Enem diz a alguns que seu conhecimento vale o certificado de conclusão do médio, deve dizer o mesmo a todos os que obtêm a mesma nota, independentemente de sua idade.

 

Se esse tipo de decisão virar moda e começar a atingir alunos que não são superdotados, parece que, finalmente, haverá motivos políticos para acelerar a reforma curricular do médio, quase ignorada pelo MEC.

 

Orgulho de trabalhar na UFT, a única federal com docentes em greve

Os professores da UFT mostram que são vanguarda na luta pelo que é certo: lideram um movimento de greve desde junho, tanto por seus direitos quanto em apoio aos servidores técnico-administrativos, sendo que só agora, dois meses depois, as demais universidades federais começam a sinalizar meros indicativos de greve docente, depois de a presidente sancionar o orçamento de 2012 sem prever sequer a correção monetária de nossos salários, que também não foram nem serão reajustados em 2011.

 

O orgulho de trabalhar com gente que não se curva calada aos poderosos, esse ninguém tira de mim.

 

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