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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

Ninguém lhe dá ouvidos... melhor para a educação nacional!

É risível ler as colunas de um certo colunista de um distinto jornal brasileiro, quando ele se "propõe" a falar de educação, que é o que menos parece saber.

 

E é estranho que saiba pouco, porque é bastante ativo nas periferias, preocupado com as causas sociais... Quem entende?

 

Na semana passada, deu a levantar novamente a ideia de implantar, na educação brasileira, a meritocracia. Professor mais "esforçado" deve ganhar bônus. Diga-se, também, que ele veio falar do tema justamente motivado pela decisão do poder público da cidade de Nova York de suspender o programa de meritocracia nas escolas locais. Ou seja, ele insiste em ir na contramão até do Primeiro Mundo!

 

Aliás, Chile e Índia como exemplos positivos do bônus? Por acaso Chile não é aquele país em que a educação está tão boa que os protestos nas ruas não param, já desestabilizam o governo do presidente, e onde caiu o ministro da Educação semana passada?

 

Pois é... Não dá para eu ficar quieto diante de tanta bobagem.

 

Muitas questões envolvem a ideia, senhor colunista. Vamos, didaticamente, esclarecer ao senhor o que é bobagem de verdade. Não, não é isso o que o senhor diz ser.

 

– Como dizer qual é o "professor esforçado" e qual não é? Presença? Avaliação escrita do professor? Avaliação escrita do aluno? Índice de qualidade da escola?

 

Nenhum desses métodos avalia, de verdade, o melhor professor. A presença é relativa: o professor pode estar presente e desinteressado, ou ausente porque viajou em busca de novidades para a sala de aula e deixou substituto. A avaliação escrita não mostra o desempenho do professor na sala, que é o que importa. A avaliação dos alunos é relativa demais, porque não existe correlação individual professor-desempenho do aluno, especialmente em escolas com tanta troca de docentes, como as públicas brasileiras. Mesmo um índice geral da escola envolve um grupo, o que depende de fatores que extrapolam o trabalho individual e, portanto, não permitem uma atribuição de gratificação personalizada.

 

– Como é que fica a escola pública com professores ganhando valores diversos pelo mesmo serviço?

 

O ambiente da escola pública, que já não é alentador em praticamente nenhuma instituição brasileira, pelo menos as que oferecem educação regular (ou seja, excluam-se as escolas técnicas, militares etc., muito melhores), fica pior com a distinção que, como discutimos, tem tudo para ser injusta pois, como sempre se fez até aqui em avaliações que previam "recompensas" individuais, coletivas ou institucionais, facilmente fraudável. Quem está dentro da escola sabe muito bem disso, e não serei eu a provar.

 

– Vale mesmo a pena se esforçar para ganhar mais?

 

Esse é o aspecto mais risível da proposta do colunista. Para quê um professor vai querer brigar dentro da escola (lembre-se de como é o ambiente de trabalho!) por um aumento de 20% se fora dela ele ganharia 50% ou 100% mais, em qualquer profissão equivalente? A proposta tem a sua beleza (e só no papel, como se viu em Nova York) no país desenvolvido, em que o professor não tem salário defasado à média do mercado para a sua qualificação. No Brasil, é só briga por restos. Quem merece mais este peso? Se o professor quer ganhar mais, ele sabe muito bem para onde ir: para longe da escola.

 

O colunista, para quem acompanha o blog, já foi citado nominalmente, devidamente criticado aqui quando propôs expor os professores que tiraram nota zero na prova do governo paulista ao escárnio dos alunos, por exemplo.

 

Pelo menos, ninguém que tem a caneta na mão lhe dá ouvidos.

 

Eis uma notícia muito positiva para a educação brasileira!

 

Restrições a veículos avançam no mundo

Há cerca de dez anos, apenas 4 cidades possuíam restrições veiculares incontornáveis, ou seja, diferentes de soluções como pedágio urbano, em que o cidadão pode pagar para seguir circulando livremente. As quatro ficavam na América Latina: São Paulo, Santiago, Bogotá e México.

 

Este sotaque espanhol dos rodízios veiculares ainda predomina no mundo e, por isso mesmo, o mais completo artigo sobre restrições veiculares na Wikipedia está em espanhol.

 

Surpreendeu-me saber que, hoje, os rodízios estão implementados em cidades relativamente pequenas, como San José, capital da Costa Rica, com não mais de 2 milhões e meio de habitantes.

 

A discussão sobre o tema está avançada e tem uma solução interessante, melhor que os pedágios urbanos que privilegiam os ricos e os rodízios do tipo "pico y placa" colombianos, em que se pode comprar um segundo veículo que circula em dia alternado ou, como indica a foto que tirei há algumas semanas em Bogotá, um veículo isento do rodízio.

 

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Parque Simón Bolívar, Bogotá

 

Trata-se de um mercado similar ao do "crédito de carbono". Todo cidadão ganharia créditos de circulação em determinadas áreas restritas, que seriam insuficientes para todo o mês. Ele poderia vender os créditos (portanto, sendo recompensado por optar pelo transporte público) ou comprá-los de quem quisesse vendê-los (o que daria o direito de livre circulação a quem a entende necessária sem precisar recorrer a proibições lineares, do tipo "último dígito da placa"). Só falta implementar.

 

O artigo da Wikipédia está aqui, e vale a pena a leitura.

 

Artigo de "El Universal" contradiz pseudoespecialistas

O maior jornal do México, El Universal, organizou um fórum para debater a avaliação dos docentes da educação básica realizado naquele país. Algo parecido com a avaliação que o PSDB tenta implantar em São Paulo. Nos mesmos moldes defendidos por alguns articulistas brasileiros que escrevem sobre educação sem saber nada de educação. Conclusão:

 

"El sistema de evaluación universal para los maestros se convirtió en una estrategia de “alto riesgo”, porque no resuelve los viejos problemas de capacitación y mejora de la enseñanza en la educación básica; sólo “agrava y diversifica problemas”, con un alto impacto en los estímulos económicos, sin sanciones posibles a quienes no quieran mejorar, coincidieron investigadores del sector educativo."

 

Vale dizer que a coisa é tão levada a sério por lá que a matéria foi alvo da manchete principal de "El Universal" de 29 de junho último.

 

Leia o artigo no original, clicando aqui.

 

P.S.: É muito positiva a integração que se vê entre os países hispânicos da América Latina. Soube da reportagem mexicana ao assistir a um canal de notícias colombiano. O Brasil perde uma grande oportunidade de aprender com os vizinhos ao ignorar suas notícias, suas experiências, sua cultura. Ao contrário deles, que sempre olham para o Brasil. Vai ver que essa aberração tem a ver com o fato de que jornalista, aqui, tem de ter diploma (apesar de decisões judiciais contrárias), mas não cultura, conhecimento e, principalmente, humildade...

 

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