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BoaProva Blog

Blog do Prof.Perdigão. Desde 2007, notícias do BoaProva e comentários sobre educação e outros temas de relevância.

O fraco desempenho em exatas na visão dos vestibulares

Não gosto de reproduzir matérias na íntegra, mas esta vale muito a pena. E saiu há mais de 4 anos na Folha de S.Paulo. O dia exato? 14 de outubro de 2004. O link está aqui, e a matéria pode ser lida por assinantes Folha ou UOL.

 

Os números continuam atuais.

 

CÁLCULO DA DIFICULDADE

Para coordenadores, parte do problema está na maneira como elas são ensinadas


Média de acerto em exatas é de 31,7%

ANDRÉ NICOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

No último vestibular da Fuvest, o número de candidatos que escolheram carreiras de humanas foi mais do que o dobro dos que optaram pelas de exatas. No mesmo processo seletivo, enquanto as matérias de humanas tiveram uma média de acerto de 46,92% do total de perguntas da área na primeira fase, nas de exatas, a média foi de 31,67%.

 

Física, matemática e química são as matérias em que os vestibulandos em média têm mais dificuldades na Fuvest e na Vunesp. As carreiras que têm essas disciplinas como base também costumam ser menos procuradas, apesar do bom mercado de trabalho.

 

Exemplo de vestibulando com dificuldades em exatas é o candidato de audiovisuais Heraldo Pereira de Souza, 21. Nos simulados, enquanto quase gabarita as questões de humanas, ele acerta apenas cerca da metade das de exatas. "Não gosto tanto das matérias de exatas e tenho que me esforçar muito mais para me sair bem."

 

Isso, segundo os coordenadores dos vestibulares das universidades estaduais de São Paulo, também professores universitários de matérias de exatas, deve-se, em parte, às próprias disciplinas e, em parte, ao modo de ensiná-las.

 

"Nada melhor do que um mau professor para criar ódio de alguma coisa. Já vi gente dando aula que, se eu fosse aluno, também odiaria física. Existe uma maneira desagradável de ensinar, que é a baseada em fórmulas, que é o menos importante", disse Leandro Tessler, coordenador-executivo do vestibular da Unicamp e professor de física na universidade.

 

O coordenador da Fuvest e professor da licenciatura em matemática da USP, Roberto Costa, também credita parte do problema aos docentes. "Se o estudante tem um professor que consegue despertar a atenção do aluno, ele não cria "anticorpos" contra a matéria." Por outro lado, ele afirma que as exatas têm uma especificidade que exige mais de professores e de alunos: o nível de abstração. "Em humanas, quando o professor fala em montanha, todo mundo sabe o que é uma montanha. Agora, e equação? O que é uma equação? Desenvolver essa capacidade de abstração é papel do professor", disse ele.

 

Uma das formas de tornar essas matérias menos abstratas, segundo ele, seria mostrar suas aplicações no cotidiano. "Trazendo para a vida prática, o estudante entende que tudo aquilo não é delírio de um monte de malucos."

 

A dificuldade específica de exatas, segundo o diretor acadêmico da Vunesp e professor da licenciatura em física da Unesp, Fernando Dagnoni Prado, está nos conceitos utilizados, que em geral são abstratos, e na linguagem matemática usada para expressá-los.

 

Para os vestibulandos, isso traz uma implicação no modo como devem estudar as matérias. De acordo com Prado, é importante que, antes de atacar os exercícios, o aluno entenda muito bem os conceitos envolvidos. "Um caminho é começar pelo conceitual, pelo qualitativo, e deixar o formalismo matemático, as fórmulas, para um segundo momento. Se for direto aplicar as fórmulas, vai ter duas dificuldades, a matemática e a de não saber a que se refere aquilo", disse ele.

 

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P.S. de 3 de março de 2009: E alguns alunos reclamam de começarmos o curso falando de Lógica Filosófica e Matemática... Sem isso, como o próprio Fernando Prado (que, a propósito, é professor da Unesp Rio Claro, tendo feito mestrado no mesmo programa em que eu faço hoje o doutorado - Ensino de Física na USP) afirma, as dificuldades, depois, serão duas. Como eu não gosto de ver aluno dois anos seguidos no meu curso, eu ensino Lógica primeiro. É essa a essência do que o Fernando Prado chama de "conceitual", "qualitativo". O mais gostoso disso é ver os alunos que persistiram no meu curso apesar da Lógica dizendo, ao fim do curso, que entender Lógica foi essencial!

 

P.S.2, mesma data: fui eu quem grifou "bom mercado de trabalho". Vale dizer que isso vale para todos os que entendem de exatas, mesmo aqueles que seguem carreiras de humanas. Não é à toa que Lógica e Lógica Matemática fazem parte do conteúdo de muitos concursos da área jurídica, por exemplo.

 

As revoltantes distorções continuam na USP

Reportagem de Veja São Paulo - de capa, por sinal - da semana passada traz duas informações que deixam qualquer pessoa honesta indignada.

 

I) O primeiro lugar da Medicina (que, caso a Fuvest continuasse a divulgar a maior nota geral, também seria esta) não precisava, mas conseguiu bônus de 9% na nota final. O rapaz cursou o ensino médio em uma escola de elite, mas militar - pública, portanto.

 

Observação: não é a primeira vez que isto acontece. Em 2007, o campeão da 1ª fase já o seria sem bônus, mas foi beneficiado.

 

II) Os três filhos de uma das mais velhas cozinheiras do Restaurante Central do campus do Butantã conseguiram chegar à faculdade. "Estudam na USP? 'Não, na Unip.' "

 

E tem gente achando maravilhoso o sistema de bônus.

 

Veja a reportagem da Folha Online.

 

A reitora da USP queria, quando aceitou o bônus, chegar a 30% de ingressantes egressos de escolas públicas.

 

Nem com o aumento absurdo do bônus neste ano ela conseguiu: a proporção foi, neste 2009, de 29,3%.

 

Enquanto o bônus na nota não for inversamente proporcional à qualidade da escola, seja pública ou particular, ele será extremamente injusto e não levará a um aumento significativo da proporção de alunos das escolas públicas.

 

É só ver o desinteresse dos alunos em participar do Pasusp, que ainda dava um bônus adicional e - pelo menos isso! - era exclusivo das escolas vinculadas à Secretaria de Estado da Educação (as escolas técnicas são ligadas à Secretaria de Desenvolvimento, e as escolas ligadas às universidades públicas, associadas à Secretaria de Ensino Superior). Ou seja, só os alunos das escolas menos cuidadas pelo poder público paulista podiam fazer a prova. Segundo o repórter da Folha, de 500 mil alunos capacitados a fazer a prova, só cerca de 8 mil quiseram fazer. Ou seja, só 1,6% dos alunos da rede pública REAL se forma sonhando em estudar na USP.

 

O bônus não pode mais ser linear! Está cheio de escolas públicas de altíssima qualidade, que já constituíam centros de formação de futuros alunos USP. Injusto favorecer quem já é favorecido! E está cheio de escolas particulares periféricas de quinta categoria, que só existem porque alguns pais preferem pagar por uma educação tão ruim quanto a gratuita, apenas para que seu filho não tenha de conviver com bandidos mirins na escola e possa, realmente, sonhar com a universidade pública de qualidade. Injusto não beneficiar estes alunos e seus esforçados pais.

 

Já disse aqui: o Enem pode servir para isso. Veio de escola com média Enem ruim? Bônus para você. Média Enem da sua escola é boa? Pode se virar sozinho, pois teve educação de qualidade.

 

Esse é um sistema extremamente lógico, em que o interesse individual de tirar boa nota no Exame para somar pontos no vestibular sobrepuja uma eventual força coletiva de boicote ao Enem.

 

O único porém é o fato de o Enem, hoje, ser muito ruim como medida confiável da qualidade das escolas.

 

Infelizmente, não sou muito otimista sobre esta alteração na política de bônus. As pessoas que o introduziram estão pensando mais em números que em pessoas (veja a reitora: tinha meta de 30% de egressos de escolas públicas, sem se importar com o fato de, eventualmente, virem todos das escolas de elite do governo e nada mudar para os verdadeiramente carentes).

 

É mais fácil criarem cotas por escola - ou qualquer outro sistema linear, imbecil, inacreditável - do que implantarem algo que coloque as pessoas carentes em primeiro lugar.

 

Unicamp: erro no gabarito oficial

Estou transcrevendo as questões dos vestibulares 2009 para a apostila deste ano.

 

É assim que trabalhamos: todas as questões do ano anterior são transcritas no material do ano e refeitas pelos alunos. E é assim que percebemos quão rápida tem sido a evolução dos vestibulares. Ainda estou devendo um comentário geral, que, finalmente, estou em condições de fazer.

 

Pois bem. Como sempre faço, se o vestibular é de primeira linha e divulga as respostas esperadas nas questões abertas, como a Unicamp, que eu considero o melhor vestibular do Brasil, coloco no nosso gabarito exatamente aquele divulgado pela comissão de vestibular.

 

Só que eles erraram em algo simples no gabarito da questão 7 da prova de Química, 2ª fase. Veja.

 

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A nova curva deveria, como o texto diz, estar acima da antiga, mas foi colocada abaixo no gabarito.

 

Se o erro persiste até hoje, passados mais de 40 dias da divulgação, é porque ninguém fez o alerta. Ou ninguém na Comvest/Unicamp se interessou por fazer a correção.

 

Torço pela primeira hipótese.

 

Esclarecimentos aos amigos do BoaProva

Uma postagem recente foi eliminada deste blog.

 

Tinha muitas semelhanças com fatos reais, embora, nestes casos, sempre se trate de mera coincidência.

 

Talvez não tenha sido mera coincidência o fato de nossas secretárias receberem ameaças no fone de São Carlos durante o dia seguinte à postagem, mas, vamos dar, aqui no blog, o benefício da dúvida.

 

Alguém talvez tenha levado muito a sério o nosso blog. Algo que, como já mencionei antes, não se deve fazer.

 

Mas abro um parêntese aqui, para, excepcionalmente, falar sério.

 

Tudo está registrado, e as pessoas próximas já foram notificadas.

 

Com nome, sobrenome, endereço e telefones da "possível coincidência".

 

Um termo circunstanciado é um passo possível, tal a gravidade e a riqueza de coincidentes provas.

 

Mas o que mais indignou a todos os que souberam da história é que alguém que aja dessa forma possa trabalhar na educação de jovens.

 

Embora tudo possa não passar de coincidência.

 

BoaProva Capital: turma matutina?

Praticamente todos os alunos e/ou interessados no curso foram contatados nestes dois últimos dias sobre a possibilidade de integrar uma turma menor na parte da manhã.

 

Pois bem: não posso assegurar que a turma matutina efetivamente será formada, porque isto depende do número total de alunos. Mesmo que haja 6 alunos interessados em passar para a manhã, e estamos próximos disso (4 alunos muito interessados e outros com graus diversos de intenção), se tivermos um total de até 14 alunos não haverá cisão.

 

Se houver 15 alunos, o mais provável é a divisão da turma.

 

Se houver mais de 15, faremos a divisão com toda a certeza.

 

A definição ficará para o fim das aulas do dia 28 de fevereiro, quando apuraremos o verdadeiro número de alunos.

 

Outra certeza é a de que a primeira aula será de manhã para quem quiser de manhã, e à tarde para quem quiser à tarde, desde que obedecidos os limites de 6 alunos na manhã e 14 na tarde (pelo menos na primeira aula).

 

Devido ao Carnaval retomaremos as comunicações diretas com os alunos na quarta ou quinta-feira.

 

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